O Relacionamento Patrão e Empregado Cristãos

 Pr. Marco Antônio de Souza

 

O relacionamento entre patrão e empregado tem sido muito tempestuoso, mesmo quando são cristãos. Reconhecemos que a melhor atitude em qualquer caso é praticar a Palavra de Deus, ou seja, perdoar o irmão e orar pedindo que o Senhor o abençoe. Deus jamais dará razão a qualquer das partes. Mas por causa da dureza do nosso coração sempre teremos problemas nessa área. Como este assunto é muito pouco debatido e ensinado na Igreja, sentimos que deveríamos empreender uma pesquisa sobre a vontade de Deus no relacionamento entre patrão e empregado cristãos.

Que fique claro que este trabalho não tem a intenção de colocar “lenha na fogueira” dos desentendimentos, nem criar celeuma, mas que as partes encontrem neste estudo uma linha de ação segura onde possam se relacionar sob a luz da vontade justa e soberana Daquele que não faz acepção de pessoas, o Senhor Jesus Cristo, Justo Juiz. A quem seja Honra e Glória também no trabalho secular dos que confessam o seu Nome. “Que proveito tem o trabalhador naquilo em que se afadiga?” Ec. 3:9

Deus instituiu o trabalho para o homem antes do pecado entrar no mundo (Gn 2:15). O trabalho foi estabelecido para nosso benefício. O trabalhador, seja ele patrão ou empregado, trabalha para ver suas necessidades supridas: “O apetite do trabalhador o faz trabalhar, porque a sua fome o incita a isso” (Pv 16:26), mas por outro lado tem a alegria de poder servir a Deus e ao próximo com os talentos que recebeu. “Doce é o sono do trabalhador, quer coma pouco quer muito; mas a saciedade do rico não o deixa dormir” (Ec 5:12).

A vontade do Senhor é que haja harmonia entre empregador e empregado, porém nem sempre é assim. A corrupção do pecado faz com que os homens busquem sempre os seus interesses, e não a preciosidade dos outros, enquanto a Palavra de Deus diz: “Com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor” (Ef 4:2). A injustiça social nada mais é que a insubmissão ao Criador posta em prática no dia a dia “suportando-vos e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como o Senhor vos perdoou, assim fazei vós também” (Cl 3:13).

A boa notícia é que na Palavra de Deus temos orientação segura para nortear o relacionamento nas empresas cristãs, evidenciando a Justiça de Deus que não faz acepção de pessoas. Salientamos que o Senhor impôs direitos e deveres às duas partes, e que os direitos de um são limitados pelos do outro. Por exemplo, se o empregado deve em tudo ser submisso ao patrão, este, por sua vez não pode usar dessa prerrogativa para defraudá-lo (enganá-lo).

 

  1. As responsabilidades do empregado cristão:

Vós, servos, obedecei em tudo a vossos senhores segundo a carne, não servindo somente à vista como para agradar aos homens, mas em singeleza de coração, temendo ao Senhor e tudo quanto fizerdes, fazei-o de coração, como ao Senhor, e não aos homens sabendo que do Senhor recebereis como recompensa a herança; servi a Cristo, o Senhor. Pois quem faz injustiça receberá a paga da injustiça que fez; e nisso não há acepção de pessoas” (Cl 3:22-25)

Deve obedecer em tudo ao seu patrão ou chefe, tratá-lo com respeito, e não ter preguiça ou fazer corpo mole no trabalho. Lembre-se de que do seu desempenho depende o bom funcionamento da empresa e que cada funcionário é uma pequena peça de uma grande engrenagem. Portanto, todos dependem do seu bom trabalho. Deve, por isso, dar o melhor de si para agradar ao seu patrão ou chefe. É ao Senhor que ele está servindo. Não deve se esquecer que todos os que agem com má fé receberão na mesma moeda. Neste caso está certo o adágio popular que diz: _ Aqui se faz, aqui se paga. O Senhor sonda os corações e vê todas as coisas. “Vós, servos, obedecei a vossos senhores segundo a carne, com temor e tremor, na sinceridade de vosso coração, como a Cristo, não servindo somente à vista, como para agradar aos homens, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus, servindo de boa vontade como ao Senhor, e não como aos homens” (Ef 6:5-7).

Não deve servir somente quando o patrão está por perto, mas sim, muito mais na sua ausência, porque fazendo assim o funcionário terá a certeza de estar fazendo a vontade de Deus. Na verdade, o empregado que age dessa forma dá mostras de que conhece o Deus a quem serve. O empregado deve servir a seu patrão de forma tal que o empregador possa confiar a ele todos os seus bens. Seja fiel em todas as coisas, servindo de boa vontade. “Todos os servos que estão debaixo do jugo considerem seus senhores dignos de toda honra, para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados. E os que têm senhores crentes não os desprezem, porque são irmãos; antes os sirvam melhor, porque eles, que se utilizam do seu bom serviço, são crentes e amados. Ensina estas coisas” (I Tm 6:1-2).

Os trabalhadores que têm patrões incrédulos devem honrá-los de forma especial, evitando que blasfemem contra o nosso Deus. Agindo assim manteremos sempre uma porta aberta para o seu coração. Os que têm patrões crentes não os desprezem porque são irmãos em Cristo, e não confundam a sua igualdade no Senhor com sua desigualdade social. Alguns, por serem irmãos em Cristo acham que podem trabalhar quando e como bem entenderem. Não trabalham direito e acham que o patrão é obrigado a suportarem-no no serviço. “Exorta os servos a que sejam submissos a seus senhores em tudo, sendo-lhes agradáveis, não os contradizendo nem defraudando, antes mostrando perfeita lealdade, para que em tudo sejam ornamento da doutrina de Deus nosso Salvador” (Tt 2:9-10).

De forma alguma o empregado deve defraudar (enganar) seu patrão ou chefe. Mesmo que essa atitude lhe traga prejuízo e até mesmo a sua demissão. Não deve contradizê-lo, mas prestar-lhe perfeita lealdade. Se ele tomar alguma atitude anticristã, seja franco, porém sensível e submisso. Devemos sempre falar a verdade, mas também devemos saber como falar a verdade. Seja sábio, o amor desfaz todas as barreiras. “Vós, servos, sujeitai-vos com todo o temor aos vossos senhores, não somente aos bons e moderados, mas também aos maus. Porque isto é agradável, que alguém, por causa da consciência para com Deus, suporte tristezas, padecendo injustamente” (I Pe 2:18-19).

Se você sofre injustiça no seu trabalho, mas por ser cristão suporta o mau chefe ou mau patrão, saiba que nisso está agradando a Deus. É ao Senhor que você está servindo e não a homens. Não leve seu patrão cristão à justiça. Procure negociar até chegar a um acordo satisfatório e amigável, e assim glorificar ao Senhor. Não sendo possível um acordo, devem ambos submeter a demanda ao pastor que a julgará. O melhor, no entanto, seria sofrer a injustiça amando e perdoando o irmão (I Co 6:1-7).

 

2. As responsabilidades do empregador cristão:

O mandamento do Senhor quanto ao relacionamento conjugal diz que a esposa deve se submeter ao seu marido como ao Senhor. Pois o marido é o cabeça da esposa. Ao marido o Senhor deu uma responsabilidade muito maior de amar sua esposa, como Cristo amou a Igreja e a si mesmo se entregou por ela (Ef 5:22-25).

Cremos que a responsabilidade dada ao empregador, da mesma forma é muito grande: gerenciar aquilo que lhe foi concedido pelo próprio Senhor que é quem distribui os talentos entre os homens segundo o Seu querer. A um Ele fez oficial em determinada área profissional. A outro fez empresário e é Ele mesmo quem prospera essa e aquela empresa de conformidade com a Sua soberana vontade (I Cr 29:11-12). “Vós, senhores, dai a vossos servos o que é de justiça e eqüidade, sabendo que também vós tendes um Senhor no céu” (Cl 4:1). “E vós, senhores, fazei o mesmo para com eles, deixando as ameaças, sabendo que o Senhor tanto deles como vosso está no céu, e que para com ele não há acepção de pessoas” (Ef 6:9).

Certa vez o Senhor Jesus ensinou que o que quiser ser o maior deve ser o que mais serve. O empregador cristão deve desenvolver uma liderança bíblica no trato diário com seus comandados. Muitas vezes acontece do empregador concentrar-se em aumentar o seu lucro às custas dos empregados. Estes costumam reunir o seu pessoal e falar a eles a respeito de “vestir a camisa”. Nessa hora são lembradas coisas do tipo: “Somos uma família” e “precisamos produzir mais para o bem da nossa empresa”. No entanto, a sua preocupação é que os empregados produzam mais, aumentando o seu lucro a fim de fazer “aquela viagem” com a família ou comprar “aquela casa” com a qual sonha sua esposa ou aquele modelo novo de carro. Não passa pela sua cabeça nenhum aumento do salário dos seus empregados, afinal, eles já ganham o salário da categoria. Não podem reclamar. Na mente desses empresários, o salário é um favor prestado ao trabalhador. Mas a Palavra de Deus diz que os empregados devem ser tratados com dignidade e justiça, e que digno é o trabalhador do seu salário.

 

Graças a Deus que estes são minoria. Hoje, Muitos empregadores investem tempo e dinheiro em treinamento e capacitação profissional dos seus funcionários, estimulando-os a crescer, produzir e ganhar mais. Esses são empresários de visão. O empregado tratado com dignidade “veste” naturalmente a camisa da empresa. Existem as exceções, é verdade, mas estamos falando da regra. “Se desprezei o direito do meu servo ou da minha serva, quando eles pleitearam comigo, então que faria eu quando Deus se levantasse? E quando ele me viesse inquirir, que lhe responderia? Aquele que me formou no ventre não o fez também a meu servo? E não foi um que nos plasmou na madre?” (Jó 31:13-15).

O empregador deve estimar o empregado crente, pois ele poderá ser um aliado na oração pelos outros e pela empresa (Fm 16). Deve prestar atenção às reivindicações dos empregados, mostrando que se preocupa com as pessoas. Toda reclamação legítima deve ser resolvida com carinho. O patrão deve, também, fazer um plano de saúde para seus funcionários. É sua função cuidar da saúde deles (Lc 7:3).

 

O Senhor não faz acepção de pessoas e todos somos iguais perante Ele, por isso devem os empregadores deixar de ameaçar os empregados (Ef 6:9). Alguns usam até mesmo a Palavra de Deus, aproveitando a falta de conhecimento bíblico do funcionário com o fim de oprimi-lo. “Mas vosso pai me tem enganado, e dez vezes mudou o meu salário; Deus, porém, não lhe permitiu que me fizesse mal” (Gn 31:7).

Não oprimirás o trabalhador pobre e necessitado, seja ele de teus irmãos, ou seja dos estrangeiros que estão na tua terra e dentro das tuas portas” (Dt 24:14). “Ai daquele que edifica a sua casa com iniqüidade, e os seus aposentos com injustiça; que se serve do trabalho do seu próximo sem remunerá-lo, e não lhe dá o salário;” (Jr 22:13). “E chegar-me-ei a vós para juízo; e serei uma testemunha veloz contra os feiticeiros, contra os adúlteros, contra os que juram falsamente, contra os que defraudam o trabalhador em seu salário, a viúva, e o órfão, e que pervertem o direito do estrangeiro, e não me temem, diz o Senhor dos exércitos” (Ml 3:5).

Segundo a Palavra de Deus o empregador não pode defraudar (enganar) seus empregados. Alguns sempre dão um “jeitinho” para pagar menos ao trabalhador, seja arranjando algum tipo de desconto, ou até mesmo diminuindo o valor da comissão por qualquer pretexto. Tempos atrás conversava sobre isso com um irmão que é empresário. Fiquei estarrecido quando ele disse que quando o funcionário comissionado estabiliza sua produção num determinado nível, alguns empregadores, então, diminuem o valor da comissão forçando-o a trabalhar mais. Essa atitude é abominável ao Senhor, e Ele exercerá juízo contra todos que enganam o seu próximo para levar vantagem, aproveitando-se da situação porque ele precisa trabalhar, sendo obrigado a se sujeitar a humilhações como esta. “Não oprimirás o teu próximo, nem o roubarás; a paga do jornaleiro não ficará contigo até pela manhã” (Lv 19:13). “No mesmo dia lhe pagarás o seu salário, e isso antes que o sol se ponha; porquanto é pobre e está contando com isso; para que não clame contra ti ao Senhor, e haja em ti pecado” (Dt 24:15). “Eis que o salário que fraudulentamente retivestes aos trabalhadores que ceifaram os vossos campos clama, e os clamores dos ceifeiros têm chegado aos ouvidos do Senhor dos exércitos” (Tg 5:4).

O Senhor supre as necessidades do empregado através do empregador. Ele é um anjo de Deus para abençoar o trabalhador. Está pecando o que retém o salário do seu empregado. O empregador deve pagar um salário justo e em dia, porque o empregado depende dele para comer.

 

Por fim, o empregador deve, também, orar para que tenha funcionários que levem Deus a sério.

Que o Senhor nos abençoe.

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9 comentários sobre “O Relacionamento Patrão e Empregado Cristãos”

  1. tenho duvida quanto levar a justiça, pois muitas coisas que entendia-mos como pecado, hoje vemos que era falta de entendimento ou de interpretação,então quando estamos enfermos não demos recorrer ao médico, até que ponto demos espiritualizar as coisas, oque é matéria e oque é espirito

    1. Irmã Eliane. Não é uma questão de ser ou não ser pecado procurar a justiça dos homens pois as autoridades foram instituídas por Deus a favor dos injustiçados. A questão é obediência a Deus, pois Jesus disse que aquele que o ama obedece seus mandamentos. Quando tomamos a iniciativa de fazer justiça com as próprias mãos, impedimos a ação de Deus e estamos dizendo que não precisamos que dele. Nós mesmos podemos nos defender. Mas se entregamos o caso ao Senhor em submissão à ele, Deus poderá agir segundo vontade dele. Eu digo a você que é melhor sempre confiar no Senhor.
      Por favor, leia as seguintes referências bíblicas, medite nelas e siga seu coração.
      1Co 6:1-10; Col 3:13; Mt 5:38-41; Fm 1:18-19; 1Pe 2:18-19 e Mt 5:44-48

      O Senhor te abençoe nesta meditação e que você seja muito feliz.
      Um abraço!

      Pr. Marco Antonio de Souza

  2. Esses patrões travestido de crente são piores que incredulo e quando um pastor vem defender estes tais e porque (ele também é um dos tais que não cumpre o direito dele como patão esse tao pastor tem dois peso e duas medida

  3. Discordo quando você diz para não levar o patrão cristão à justiça.Não é por ser cristão que dá o direito de usar a fé para não cumprir suas obigações.Pelo contrário. O servo de Deus tem a obrigação de seguir a lei.Ouço várias histórias de pessoas (principalmentes profissionais autônomos ) que usam esse artifíco para não cumprir seus deveres.
    Estou com um serviço em minha casa ao qual paguei em março de 2011 e o prestador sempre usa essa desculpa: nós somos irmãos. Em um ano já tentei de todas as formas conversar e nada adianta.Quer dizer que tenho que ficar no prejuízo de uma obra paga e não realizada, porque somos irmãos? eu contatratei um serviço, não a fé dele.

    1. Cristina, só poderemos amar de fato se abrirmos mão dos nossos direitos. No seu caso, você tem direito de se indignar, mas a atitude cristã correta é abrir mão deste direito, por amor ao Senhor Jesus. Não devemos olhar a atitude do outro e sim a nossa. Jesus mandou perdoar sempre. Por favor, medite nas passagens bíblicas abaixo que eu creio, se prestam a este caso:
      1Co 6:7; Cl 3:13; Mt 5:38-41; Fm 1:18; Jó 31:13-15; I Pe 2:19; Mt5:44-48

      Como você pode ver, não se trata de uma simples relação comercial, mas de amor cristão.
      Que o Senhor Jesus te abençoe sempre.
      Um abraço!
      Pr. Marco Antonio

  4. Ana Carolina, ao Senhor Jesus, o Verbo de Deus, pertence toda honra e glória. Continue conosco e indique o site aos seus amigos e colegas.

    Deus lhe abençoe com o pleno entendimento do grande amor com que o Pai nos amou.

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