Amor Maduro


 Rosângela Brito de Oliveira Lima

Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula (Hb 13:4)

Sabe quando um casamento fica bom de verdade? É quando ele fica velho, lá pelos seus vinte e cinco anos de união. Aí sim. Já se passaram as discórdias da adaptação, as divisões na educação dos filhos, as brigas de ciúmes, as dissensões por causa da autoria dos mal-feitos ou bem-feitos, e as divergências do dia-a-dia. Já passou o tempo dos jogos de sedução, os impasses causados pela imposição da vontade de cada um, os dilemas, as dúvidas e outras cobras e lagartos.

Casamento é uma construção. Pode ser mal feita, sem alicerce, com pouco cimento, com material de segunda, feitas às pressas; ou pode ser uma daquelas obras que nos deixam embasbacados; como os discípulos de Jesus ficaram diante do templo em Jerusalém.

Acompanhei há pouco tempo, a construção de um prédio que me deixou perplexa. Havia categoria em tudo: Na escolha dos materiais, no levantamento das paredes, na colocação dos vidros, na ordem e na limpeza da obra. Não se via construir, mas, cada vez que eu passava perto, mais uma parte já estava pronta. Não se viam massa, sujeira, tábuas soltas, nem entulhos. Era tudo organizado e limpo como na construção do templo de Salomão onde as pedras tinham que ser cortadas fora para não se ouvir barulho.

Assim também conheço alguns casamentos similares. Chegam inteiros às bodas de prata. Sem manchas, calúnias, acusações, ofensas pessoais ou separações. São construções tão bonitas como a acima citada. As brigas existem, é claro. São duas cabeças pensantes com suas divergências naturais de opiniões e idéias. Mas tem que haver um consenso. Para isso Deus estabeleceu papéis diferentes para cada um.

O respeito mútuo, a manutenção da individualidade e a compreensão do outro como uma pessoa livre, são muito importantes no casamento. São materiais de primeira linha para uma construção limpa e categórica.

As palavras são espadas, são vivas e ferem a alma. Por isso há tanto casal entristecido e desanimado de investir na relação. Os cônjuges precisam ter mais cuidado com o que falam do que com o que fazem. Para não estragarem com materiais indevidos a construção do seu casamento.

Conheço dois casais que se separaram após os seus vinte e cinco anos de união. Coincidentemente, os maridos dessas duas mulheres ficaram loucos para voltar com suas esposas. Um deles disse: “Eu a amo demais. Ela é mulher da minha vida”. E o outro disse: “Eu a conheço desde os 13 anos de idade. Passamos uma vida juntos. Isso não é justo”.

Agora eu lhe pergunto: será que esses dois maridos estão amando essas mulheres de mais de 50 anos bem mais gordas e desgastadas que 25 anos atrás? Como pode ser isso, se existe tanta jovem bonita por aí, se oferecendo a eles?

Não, amados. Esses maridos amam aquelas meninas que conheceram, e por quem se apaixonaram na juventude e em quem investiram durante toda a sua vida. O que está dentro de cada homem e mulher maduros é o jovem e a jovem que um dia impressionaram um ao outro e por quem se apaixonaram. Isto confirma o que a Bíblia diz em 1 Co 13: O amor jamais acaba.

No amor maduro, o que se registra é uma amizade sólida construída. Um entendimento total de um para com o outro. Conhece-se cada gesto, cada palavra, cada atitude. Existe uma preocupação natural de um pelo outro. Sabe-se porque está andando assim, falando assim ou agindo assim. Sabe-se tudo um do outro. E a melhor maneira de investir no nosso casamento é introduzir Jesus nesta aliança. Porque Ele capacita-nos a honrar o matrimônio, amando, respeitando e, às vezes, até suportando nosso cônjuge até que as adversidades passem.

Jesus nos ensina a amar da maneira certa. Não mais com nosso amor carnal, mas com o amor ágape. Com Jesus presente na aliança, fica entre eles, não mais aquele amor egoísta da juventude, ou amor ciumento do princípio, nem aquele amor obsessivo e prejudicial do início do casamento, mas agora é o amor verdadeiro que tudo espera, tudo sofre, tudo suporta e jamais acaba. Isto é ser uma só carne. Isto é ter um amor maduro. Isto é chegar à plenitude do matrimônio. É encontrar o verdadeiro amor. O Senhor foi testemunha da aliança entre ti e a mulher da tua mocidade (Ml 2:14)

Se você sente que já estragou tudo, não desanime. Arrependa-se diante de Deus, peça perdão ao seu cônjuge e volte para a caminhada. É sempre tempo de recomeçar.

E se você ainda está no início de sua construção, medite nestas coisas e invista no seu cônjuge, para que você possa conhecer a plenitude desta união trabalhada, ao chegar à maturidade de um casamento limpo e belo. Casamento feliz é sinal da presença da benevolência de Deus: O que acha uma esposa acha o bem e alcançou a benevolência do Senhor (Pv 18:22).

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