A Hora da Glória de Jesus


Marcel Malgo

 “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte e morte de cruz” (Fp 2.5-8).

Por que, afinal, Jesus seguiu esse caminho da entrega total? Por que Ele foi obediente até a morte, até a morte de cruz?

Por amor a Seu Pai no céu!

A hora da Sua glória, quando exclamou na cruz “Está consumado!”, a hora de triunfo e vitória do Cordeiro de Deus aconteceu em primeiro lugar para o Pai no céu. É óbvio que Jesus morreu por nós – Jesus nos redimiu – Jesus nos libertou – Jesus nos salvou. Mas, embora tudo isso seja tão belo e verdadeiro, não aconteceu primeiramente por nossa causa, e sim, por causa da vontade santa de Deus, para quem o pecado é abominação.

Pelo fato do Deus santo jamais poder tolerar pecado, Ele não viu outra alternativa do que enviar Seu próprio Filho ao mundo para fazê-lO morrer como cordeiro de sacrifício pelos pecados. Entretanto, mesmo que Jesus Cristo já tenha sido designado para ser o Cordeiro de Deus desde a fundação do mundo – porque Deus sabia como tudo havia de acontecer –, esta nunca fora a intenção original de Deus. Como sabemos disso? Por ocasião da criação do homem, Deus não incluiu a necessidade de salvação – o Calvário –, embora soubesse que o homem cairia no pecado.

Em Gênesis 1.26a e 27 lemos sobre a criação do homem: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra. Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. Disso se deduz claramente que, por ocasião da criação do homem, Deus agiu como se nunca houvesse a queda em pecado – pois mesmo sabendo muito bem da queda que haveria de acontecer, Ele colocou dentro do homem a Sua própria e gloriosa imagem. Ao mesmo tempo precisamos saber que o Filho de Deus estava presente no ato da criação, pois está escrito no plural: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”. Podemos ver retrospectivamente o quanto Jesus se alegrou pela criação dos homens, mesmo que mais tarde tivesse que morrer por eles: “O Senhor me possuía no início de sua obra, antes de suas obras mais antigas. Desde a eternidade fui estabelecida, desde o princípio, antes do começo da terra… eu era as suas delícias, folgando perante ele em todo tempo; regozijando-me no seu mundo habitável e achando as minhas delícias com os filhos dos homens” (Pv 8.22-23; 30-31). Aqui se fala da Sabedoria em pessoa, que não é outra senão o próprio Jesus Cristo, pois dEle está escrito que “se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção” (1 Co 1.30). Jesus, que já estava com o Pai desde a eternidade, participou da criação do homem e teve, como diz a Bíblia Viva: “grande prazer no belo mundo que tinha sido criado e nas pessoas que moravam nele”. Como era glorioso o Paraíso de Deus! Ali não havia pecado, nem sombra de pecado, nem qualquer perturbação. Pelo contrário. O Deus santo e eterno quis revelar-se de maneira tão concreta no homem, que colocou nele a Sua imagem. Imagine só: Deus se identificou tanto com a coroa da Sua criação, que essa criação passou a ser a imagem refletida dEle mesmo!

Contudo, para grande pesar do Criador e de todos os Seus exércitos celestiais, aconteceu: a coroa da criação, o homem, caiu em pecado. Com isso, por um tempo, toda alegria havia terminado. Pois num só golpe, a imagem de Deus que Ele havia colocado no homem foi tocada e manchada e isso lançou uma pavorosa sombra sobre o glorioso Paraíso. O que Deus teve que fazer, então?

Quando Moisés voltou do Monte Sinai com as primeiras tábuas da Lei e viu como o povo dançava de maneira auto-destrutiva e pecaminosa ao redor do bezerro de ouro, ele despedaçou as tábuas de pedra diante dos olhos do povo. Bem entendido, tratava-se das tábuas da Lei que o próprio Deus havia feito e escrito com Seu dedo, mas elas foram destruídas por causa do pecado.

Entretanto, os primeiros homens que Deus havia feito e nos quais Ele colocara a Sua imagem, que, entretanto, sujaram essa imagem santa pelo pecado, não foram destruídos. Essa teria sido a possibilidade mais simples para Deus, porque dessa maneira Ele poderia limpar a Sua própria imagem santa de qualquer contaminação e desonra. Porém, Deus não destruiu a Sua criação. Ele procurou uma possibilidade para reparar o estrago. Havia somente um único caminho:

O Calvário

É dentro dessa perspectiva que precisamos olhar outra vez essa grandiosa vitória conquistada no Calvário, a hora da glória de Jesus Cristo, que em primeiro lugar foi a hora de Seu Pai. Como já dissemos, o alvo primordial não era resgatar o homem caído, mas restabelecer a glória de Deus que fora violada! Somos tão parciais e humanos em nosso modo de pensar, que muitas vezes esquecemos essa verdade.

Naturalmente permanece o que está escrito em João 3.16: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Mas de que amor se trata aqui? Do grande amor do Criador para com a Sua criação que, desde a queda em pecado, jaz totalmente no maligno. Em outras palavras: trata-se daquele amor de Deus que sempre existiu. Muitas vezes falamos sobre o amor de Deus como se tivesse se tornado ativo apenas na cruz do Calvário. Mas esse é o mesmo amor pleno de Deus presente quando colocou a Sua imagem no homem por ocasião da criação. Que amor ilimitado Deus demonstrou naquela ocasião – e Seu amor nunca mudou.

Quando está escrito que “todo o que nele crê… tenha a vida eterna”, não se trata de uma vida eterna que somente surgiu no Calvário, mas da vida eterna que os primeiros homens já possuíam no Paraíso e haviam perdido por causa do pecado.

Pela ressurreição de Jesus Cristo, todas as exigências de Deus foram cumpridas

Pela entrega da Sua vida na cruz do Calvário, o Senhor Jesus ofereceu o sacrifício pelo pecado original e por todos os pecados cometidos, e através desse sacrifício, o Deus santo pôde reconciliar-se com Sua criação: “a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões…” (2 Co 5.19). Mas o mais importante foi que, assim, a imagem santa de Deus que Ele colocara no homem foi resgatada. Pois cada pessoa que responde afirmativamente ao Calvário, aos olhos de Deus, é transferida de volta para o estado original da criação, porque em Jesus Cristo passa a ser justa. Em Romanos 8.1 lemos a respeito: “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.”

Assim cada pessoa que responde afirmativamente ao Calvário está novamente de posse da vida eterna que havia sido perdida no Paraíso. A esse respeito lemos em 1 João 5.12a: “Aquele que tem o Filho, tem a vida.” Por isso, pela ressurreição de Jesus Cristo dos mortos, todas as exigências do Deus santo – como selo da obra expiatória consumada no Calvário – foram cumpridas.

Penso que João Batista viu isso claramente, pois no seu testemunho público em João 1.29, ele disse acerca de Jesus: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” Ele não disse: “Eis o cordeiro do sacrifício do mundo, que leva os homens novamente a Deus”, mas “Eis o Cordeiro de Deus…” E este Cordeiro de Deus tem como prioridade a vontade de Deus e Sua glória e não as necessidades de um mundo pecaminoso. Isto significa que Jesus não foi ao Calvário como o nosso Advogado, mas como Enviado e Representante do Deus santo e justo que está nos céus! Por isso está escrito em 2 Coríntios 5.19a: “a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo…” E em Romanos 3.25 lemos: “…a quem (ou seja, a Jesus) Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé…”

Não é impressionante o que Jesus fez? Para restabelecer a honra de Seu Pai, Ele fez com que todos os que crêem nEle, no Senhor crucificado, morto, ressuscitado e que voltará, tivessem novamente acesso livre a esse Pai no céu. Somos exortados a fazer uso desse acesso com toda confiança: “Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça…” (Hb 4.16a).

É tão comovente o que Romanos 8.15 diz àqueles que foram salvos pelo sangue de Jesus: “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai”. Não, nunca mais precisamos ter medo, pois Jesus restabeleceu tudo; entre nós e o Pai no céu tudo está purificado pelo sangue de Jesus. Como é glorioso agora podermos chamar nosso Pai de “Aba, Pai” outra vez, Ele que antes nem podia olhar para nós por causa dos nossos pecados! Isso encontra amparo total no Deus Eterno, que deseja que Seus filhos o chamem assim, pois está escrito em Gálatas 4.6: “E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai!” Em outras palavras: àqueles que se tornaram filhos de Deus pela fé no sacrifício de Jesus Cristo no Calvário e na Sua gloriosa ressurreição, a esses o próprio Deus quer encher com o Espírito do Seu Filho para que tenham plena confiança de chamá-lO de “Aba”, Pai.

Como é grandiosa a hora da glória de Jesus Cristo!

Pela Sua cruz e pela Sua ressurreição Ele restabeleceu a honra do Deus santo, e assim foi novamente aberto o caminho do homem ao coração do Pai. Nesse sentido devemos gravar bem fundo em nossos corações as palavras de Lucas 15.7, onde o Senhor Jesus diz: “…haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende…” A hora da glória de Jesus Cristo é festejada continuamente no céu! Você sabe quando? Cada vez que um pecador se arrepende! Pois cada pecador que se arrepende contribui para que a honra do Deus eterno se torne maior e mais gloriosa!

Fonte: www.chamada.com.br

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