Trapaça e Culpa


PERGUNTA 

Pastor, admiro muito seu trabalho, que conheci há poucos meses. Acredito que o senhor tem sido um instrumento de bênção da vida de muitos jovens que, como eu, às vezes tropeçam na caminhada cristã. Minha história é longa, portanto tentarei ser breve. 

Na faculdade cometi uma fraude no último período do curso. Sempre me esforcei para ser honesto nas provas e em tudo o mais. Nunca fui um cínico ou mau caráter. Porém, no último período, já cansado, sem muito tempo e sofrendo pressão para passar num concurso, resolvi encomendar a confecção do meu TCC. Não fiz minha monografia; comprei-a. Foi, talvez, a coisa mais estúpida que já fiz na vida. 

Consegui me formar trapaceando, mas pela graça de Deus cheguei ao arrependimento e acredito que perdoado. Dispus-me a buscar de maneira mais determinada a integridade e respeito pelos outros. 

A questão que me angustia surge do fato de que passei num concurso (de maneira lícita) na minha área de formação, e por ter sido desonesto numa cadeira da faculdade, sinto-me desonesto agora diante das pessoas, uma vez que utilizei o diploma para chegar aqui. 

Não sei o que fazer. Gostaria de voltar e consertar tudo, mas é tarde. Abomino o que fiz, sei que Deus me perdoou, mas tenho frequentes sentimentos de indignidade e ilegitimidade. 

Já pensei em desistir da carreira, procurar emprego em outra área, mas não sei se isso é certo. Às vezes tenho certeza de que estou errado em me valer ainda do curso; noutras penso que não compreendi bem o evangelho. Gostaria de ter a alegria e liberdade que sentia antes. 

O que faço, pastor? Estou em pecado, e por isso não tenho paz? 

Obrigado pela atenção. Paz. PS- Não sei se este é o lugar de publicar pedidos de aconselhamento. Se não for, por favor, perdoe-me e não desconsidere meu pedido.

 

RESPOSTA 

Irmão, amado de Deus, tenha paz em seu coração. Embora tenha feito o que é abominável no passado, seu pecado já foi perdoado pelo Senhor. Não há condenação alguma para aqueles que estão em Cristo. Nenhuma condenação! 

Você tropeçou num ponto em sua vida universitária, é verdade, mas se esforçou em todos os outros durante o curso. Passou, formou-se e tem o direito legítimo de exercer a profissão, pois a sua vida pregressa demonstra que se tivesse esforçado na monografia teria conseguido fazê-la por esforço próprio. 

Irmão, essa experiência é para seu próprio bem, para mostrar-lhe, na sua profissão, que deve ser humilde para com todos, pois não há homem na face da terra que não tenha cometido deslizes. Muitos deles ainda ocultos. 

Agora faça de seu curso, de sua carreira e dos rendimentos que ela lhe der, um canal de bênçãos na vida das pessoas. Jesus disse que deveríamos usar os recursos terrenos na propagação do Evangelho, fazendo amigos eternos (a verdadeira riqueza): “E eu vos recomendo: das riquezas de origem iníqua fazei amigos; para que, quando aquelas vos faltarem, esses amigos vos recebam nos tabernáculos eternos” (Lc 16:9). 

Irmão, mantenha seu curso, sua profissão, sua carreira com alegria e com paz no coração, pois todas as riquezas ganhas na face da terra, são de origem iníqua aos olhos de Deus. Todas! Mesmo as alcançadas honestamente, sob trabalho duro são iníquas, pois Deus não criou o dinheiro e não mandou que o homem acumulasse bens. 

Por isso não se preocupe quanto à sua salvação, pois ela não depende de obras suas. Nem boas, nem más. Sua salvação depende exclusivamente da Graça de Deus, que misericordiosamente, lhe concedeu lá na cruz do Calvário, pagando pelos seus pecados. Inclusive esse pecado. 

O Senhor lhe abençoe com graça, paz e autoridade para trabalhar ativamente na sua profissão, em prol do Reino de Deus, é minha oração a seu favor, em nome de Jesus!  

José Adelson de Noronha

6 opiniões sobre “Trapaça e Culpa”

  1. Pastor, a Paz do Senhor… Tenho uma dúvida acerca de acúmulo de bens de forma ilícita. Antes de me converter, eu exercia alguns serviços desonestos, e, com dinheiro advindo de atividades ilícitas, consegui juntar alguns bens. Todavia, me arrependi, confessei a Deus os meus pecados e clamei por Sua graça e misericórdia. Hoje levo uma vida diferente, trabalho honestamente para me sustentar e sustentar a minha família, mas fico em constante atribulação, pois fico pensando se Deus realmente me perdoou, já que eu não abri mão dos bens que adquiri de forma ilegal, nem tampouco fui punida pela lei dos homens. Pelo contrário, fui imensamente abençoada com um trabalho honesto, que me dá rendimentos além dos que eu recebia ilicitamente. Já conversei com um dos Pastores ligados à minha igreja e este me falou que eu não preciso abrir mão de nada, e que o perdão vem pelo arrependimento, e não pela devolução das coisas que adquiri. Que o mais importante eu já fiz, que foi mudar a atitude e hoje viver honestamente, e com os olhos voltados para Cristo. Mas, mesmo assim, às vezes ainda me sinto muito mal, achando não ser merecedora do trabalho que hoje eu tenho, nem das coisas que possuo, já que parte delas foi adquirido com dinheiro proveniente de uma conduta ilícita. Além do mais, se as pessoas soubessem das coisas que eu já fiz, jamais conseguiria o trabalho que hoje eu tenho, pois não confiariam uma função de responsabilidade a uma pessoa com um passado sujo como o meu. A impressão que eu tenho é que eu vivo uma mentira, já que praticamente ninguém sabe do meu passado. Fico pensando no que as pessoas que convivem comigo hoje, como colegas de trabalho, chefe e irmãos da igreja pensariam, se soubessem o que eu fazia pra viver antes. Acho que até o emprego eu perderia. Mas o meu medo maior é, sem sombra de dúvida, imaginar que eu poderia perder a salvação, pois não confessei o meu pecado pra mais ninguém, o mantendo “oculto”, bem como não abri mão dos bens adquiridos de forma pecaminosa, nem devolvi o dinheiro adquirido ilicitamente. Gostaria de voltar no tempo e fazer tudo de novo, da forma correta, mas isso não é possível. Preciso de aconselhamento e oração. Não estou conseguindo nem dormir direito. Uma vez alguém me falou que esse sentimento de culpa é obra do inimigo, que está tentando me acusar de algo que eu não posso mudar, e, com isso, me tirar do caminho de Cristo. Mas eu não estou certa disso. Por favor, me ajude.

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    1. Irmã, os pastores em sua igreja estão corretos no que disseram. Por isso não se preocupe quanto à sua salvação, pois ela não depende de obras suas. Nem boas, nem más. Sua salvação depende exclusivamente da Graça de Deus, que misericordiosamente, lhe concedeu lá na cruz do Calvário, pagando pelos seus pecados. Inclusive esses pecados.

      É como eu escrevi no post: todas as riquezas ganhas na face da terra, são de origem iníqua aos olhos de Deus. Todas! Mesmo as alcançadas honestamente, sob trabalho duro são iníquas, pois Deus não criou o dinheiro e não mandou que o homem acumulasse bens.

      Sua salvação é pela Graça e não por confessar pecados a esta ou àquela pessoa. Nem por devolver o que adquiriu ilícitamente, pois as outras pessoas também ganharam esse dinheiro ou bens ilícitamente. E se foi de empresas ou governo, eles nada são, pois para Deus existem apenas pessoas e não empresas.

      Mas, se tiver oportunidade você pode devolver o que tomou ou sonegou, sabendo porém que isso não lhe ajudará em nada na sua salvação. A devolução poderá, no máximo, trazer paz ao seu coração por colocar luz onde há trevas.

      Outra coisa que você poderá fazer também é ofertar, principalmente a pessoas pobres, necessitadas, viúvas, asilos, hospitais. Até na igreja ou ministérios. Deus aceita e se agrada quando as ofertas são expontâneas e com alegria no coração.

      Mas não oferte nada se for com intenção de afastar uma provável ira de Deus ou para conseguir outras bênçãos. Disso o Senhor não gosta.

      Eu oro para que o Senhor lhe conceda sabedoria e livramento de todo medo, angústia e preocupação, em nome de Jesus.

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      1. Pastor, muito obrigada… De coração, espero que Deus lhe abençoe e continue lhe proporcionando paz e força para continuar adiante… Seu trabalho é muito lindo, e me sinto extremamente honrada de poder ter feito parte dele… Fique na paz do Sr. Jesus…

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    1. Pastor, sou a autora do post anterior… Não estou conseguindo dormir e nem ter paz, por medo de não ter a salvação, por causa dos erros cometidos e não confessado às pessoas. Acabo de ler um artigo em que um pregador diz que quem rouba deve confessar àquele que foi roubado. Eu já procurei o meu antigo chefe e pedi perdão. Ele perdoou, mas eu ainda não consigo ter paz. Que eu devo fazer, preciso de uma resposta, pelo amor de Deus…

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